2008/09/29

Aqui ainda se suspira por Frank Gehry - Eu só um deles!

Volto a afirmar. Lisboa perdeu uma oportunidade única.


Aqui ainda se suspira por Frank Gehry
(2008-09-21; Fonte: Público; Autor: Catarina Prelhaz)

Ainda não. Ainda não é hora de morrer. Pai Manel luta, sozinho. Os nós dos dedos esbranquiçados amarram as muletas. Não morreu, não morreu, não fechou ainda, podem vir, entrem, venham. Pai Manel chama quem passa. Sustém nos braços o peso dos joelhos doentes, recém-operados. "É uma dor". Dor só, não há mais palavras que a descrevam.

Oito anos depois, o Parque Mayer ainda estrebucha, mas o Pai Manel já lá não está. "Cansou-se de esperar". Entre promessas de recuperação, a "pequena Broadway lisboeta" envelheceu, largou estuque, perdeu gente, esfarelou-se e recheou-se de pombos e ninhadas de ratos. Agora, nova promessa, zunzum de arquitectos e ideias. Mas no Parque Mayer encolhe-se os ombros, torce-se o nariz. Ali não se acredita.

Os turistas entram pelo portão que espreita a Av. da Liberdade. Avançam passo a passo, olham de esguelha, viram os mapas de pernas para o ar. "São milhares. Vêm só para fotografar", atesta Manuela Novaes, dona do "restaurante mais cor-de-rosa do Parque Mayer". Um dia, intrigada, perguntou porquê. "Sabe o que me disseram? Vêm fotografar o antes do Frank Gehry, para mais tarde virem fotografar o depois".

Mas não há depois. Quando em 2007 o executivo PSD de Carmona Rodrigues caiu, o socialista António Costa assumiu os destinos da câmara e do Parque Mayer: o projecto de recuperação do arquitecto Frank Gehry - que desenhou o Museu Guggenheim de Bilbau - foi apelidado de "megalómano" e arredado sem que a autarquia recuperasse os 2,5 milhões de euros que tinha pago pelas maquetas. Em Novembro, o município lançou um concurso de ideias para a reabilitação do espaço, que deveria ter terminado no mês passado. Cinco equipas de arquitectos disputam ainda a fase final.

"Desanimou-me que pusessem o estudo do arquitecto Gehry na gaveta. Era um projecto, agora são cinco. O primeiro cobria só o parque, agora eles abrangem o [Jardim] Botânico e a Escola Politécnica. Ora bem, cheira-me que esta iniciativa está condenada ao fracasso e que só nos estão a atirar areia para os olhos. É que se não havia dinheiro para o Gehry megalómano, onde irão arranjá-lo agora?" A pergunta de Hélder Costa, empresário do Maria Vitória, único teatro sobrevivente, anda de boca em boca pelos resistentes do Parque Mayer.

Apetites imobiliários
"A nossa grande hipótese foi desde logo o casino. Se tivesse vindo para aqui, tudo seria diferente. E quem me dera que o projecto do arquitecto Frank Gehry tivesse vingado. Um Guggengeim em Lisboa acabaria com o deserto em que se transformou a Baixa", lamenta Manuela Novaes. Em 2002 e invocando a necessidade de um debate mais alargado sobre o tema, o então presidente Jorge Sampaio vetou o decreto-lei que permitia a instalação do casino. Os comerciantes não lhe perdoam. "O que é que o ex-presidente Jorge Sampaio teria contra o Parque Mayer, contra a Av. da Liberdade?", indaga Manuela Novaes.

"O grande mal da política em Portugal é devorar-se a si própria, destruir o que o outro construiu é mais importante que tudo o resto", prossegue Hélder Costa. "Este projecto de Frank Gehry entusiasmava-me. Ele é uma pessoa muito culta e com grande respeito pelo teatro. Idealizou um muito grande, outros mais pequenos e um casino, mas estava aberto a discutir e a afinar ideias".

O empresário diz estar pronto para um novo Parque Mayer. Já lá vão quase 40 anos. "Pouco depois de chegar ao Capitólio, já se falava num projecto de dimensão extraordinária do arquitecto Carlos Ramos [1969]. Dizia-se que era uma loucura, porque previa uma ligação ao metro e um viaduto que entroncava na Av. da Liberdade". Idealizava duas torres, uma para 448 quartos do hotel Hilton, e três teatros. Houve barulho, mas nada aconteceu. Com Gehry foi a mesma coisa.

Embora reconheça que tem "dificuldade em perceber a lógica do concurso de ideias" lançado pela autarquia, Hélder Costa revê--se nas ideias de um dos finalistas, o ateliê ARX Portugal. Agrada-lhe o regresso da comédia e do cinema, a comunhão das artes, o museu do teatro, mas sobretudo a preservação da revista. "O Parque Mayer tem de ter pelo menos três teatros. Gostava de ter os quatro, mas a verdade é que já estamos a lutar para que não sejam zero. E o teatro de revista traz milhares de pessoas à cidade. Tem de ser estimado".

A todo o gás, o primogénito Maria Vitória funciona a um canto, entre os teatros mortos. Inspira 600, expira 600. Entra excursão, sai excursão. Políticos, artistas, carros topo de gama. Seis centenas de bilhetes por sessão esgotados com meses de antecedência. "Têm a mania de dizer que o Parque Mayer morreu e o pior é que as pessoas acreditam", atira Hélder Costa.

Ainda se lembra do dia em que ali aterrou, 8 de Setembro de 1964, à procura de trabalho e longe de imaginar que viria a ser empresário do teatro mais antigo do espaço. Tinha acabado de ser despedido do Banco Lisboa e Açores, na Rua do Ouro, última janela. Motivo: "23 anos de idade e bailaricos". Os contínuos picavam-lhe o ponto à hora certa para ocultar os sucessivos atrasos até ao dia em que se deparou com o "chefe à porta". Foi dito e feito: no mesmo dia estava na rua.

O novo emprego foi escolhido "ao acaso" nos classificados de um jornal. E assim se tornou empregado do empresário Giuseppe Bastos, que explorava o cineteatro Capitólio e a quem viria a suceder no negócio em 1975. Foi dar com um "Parque Mayer velho" (de 1922), mas repleto de gente. "Eram homens da finança, da escrita, dos jornais, artistas, jogadores e pessoas que vinham só para os ver passar".

Hoje o parque também é velho, mas tem ar de morto, dispara Hélder Costa. "Nem me falem nisso." Foi ver os teatros desactivados no âmbito do novo concurso e "nem queria acreditar". O teatro ABC? "Não existe, não vale a pena recuperar, chove lá dentro". Resta-lhe a velha carcaça branca, o letreiro tombando sobre a fachada, "mais nada". O Capitólio "está transformado num pombal".

E o Variedades? "Foi vítima de uma degradação criminosa". Em 1990, por 100 mil contos (500 mil euros), foi "picado até ao cimento" e totalmente recuperado. Mas a reabertura chocou de frente com a atenção concentrada na invasão do Kuwait. "Em 2006, o ex-presidente Carmona Rodrigues mandou retirar as cadeiras por causa de uma exposição, mais tarde partiram-lhe os vidros e entrou tudo o que se possa imaginar". Até pulgas.

"Não sei que dia ditou o princípio do fim do Parque Mayer. Começou ainda quando o espaço pertencia à Avenida Parque e os apetites imobiliários se tornaram mais fortes. A política da terra queimada destruiu-nos. As lojas começaram aos poucos a fechar. Quando há nove anos a Bragaparques veio, foi a desgraça total. Como não estávamos dispostos a ir embora, negociaram indemnizações e forçaram saídas", conta o representante dos comerciantes, Júlio Calçada.

Mas "o pior" foi mesmo quando puseram fim ao estacionamento. "Isso sim, ia acabando connosco. Foi nessa altura, em 2000, que o Pai Manel - era assim que o meu pai era tratado por todos -, foi doente para a entrada explicar a quem passava que o Parque não tinha fechado. Foi uma dor... É uma dor. Tem 81 anos e veio para aqui aos 13. Já não consegue ver esta degradação", lamenta Júlio Calçada, que assumiu o negócio familiar do restaurante O Manel.

Diz quem por ali ficou que a saga Parque Mayer é, de resto, uma "sucessão de absurdos". "Além dos projectos falhados, há coisas que não batem certo. Como é possível que a permuta do terreno entre a Bragaparques e a câmara se tenha baseado na premissa falsa de que o espaço estaria devoluto? Como trocaram este espaço entalado na zona histórica por um terreno camarário situado numa zona mais valiosa?", questiona Júlio Calçada.

O comerciante não percebe também por que motivo é que a Bragaparques continuou a explorar o parque de estacionamento ao longo de 20 meses após ter assinado a escritura da permuta com a câmara. Nem compreende por que é que a autarquia lhe paga água e luz desde Agosto de 2005. A ele, a outros três comerciantes e ao empresário do Maria Vitória. "Já avisei os responsáveis e nada. Não há maneira de resolverem a questão. Quero pagar as minhas próprias despesas. Será pedir muito?"

Hélder Costa acha que a Guerra do Golfo asfixiou o Variedades, que fechou após a revista televisiva Grande Noite


Câmara terá sempre uma palavra sobre o destino do espaço
Enquanto se espera o desfecho do concurso de ideias, corre em tribunal uma acção que pode devolver a posse do Parque Mayer à Bragaparques. Os comerciantes não temem a anulação da permuta com o terreno da Feira Popular. "Esperamos que [a anulação] aconteça, porque os lisboetas é que saíram mal do negócio. Não tenho medo da Bragaparques, porque acredito que a câmara recuperará a posse do Parque Mayer", diz Manuela Novaes. O vereador do Urbanismo, Manuel Salgado, já garantiu que caberá sempre à câmara definir os usos a dar ao terreno. Em Julho, o tribunal condenou a Bragaparques a indemnizar os comerciantes pelos prejuízos, mas a empresa vai recorrer. "Em 1999 facturámos 35 mil euros. Em 2000, os nossos rendimentos no restaurante passaram para metade. No segundo ano, baixaram cerca de 60 por cento. É esse dinheiro que queremos recuperar", explica Júlio Calçada. A luta é só para reaver direitos. Manuela Novaes e Júlio Calçada não contam ficar no novo Parque Mayer. Só Hélder Costa garante que ficará para viver o futuro do espaço, mas conta que a autarquia assegure instalações provisórias ao Maria Vitória.
Escrito por João Miguel Mesquita em 18:36:51 | Link permanente | Comments (0) |

2008/09/11

Não Perder!

A Revista jazz.pt, a única em Portugal a dedicar-se a esta expressão musical, realizará um Festival (13 concertos) comemorativo do seu terceiro ano de edições.

Este Festival, que conta com a colaboração do Hot Clube , decorrerá nas instalações Clube, no Jardim e no Bar, com concertos respectivamente às 22h30 e às 00h30.

Até sábado no Hot Club, decorre o Festival de Jazz.

Consulte aqui o programa

Festival jazz.pt
Segundo fim-de semana / 11, 12 e 13 de Setembro / Bar e Jardim do Hot Club de Portugal.

Depois de uma primeira semana marcada pela grande afluência de público e pelas reacções muito positivas à abertura do jardim do Hot Club de Portugal, o Festival jazz.pt prepara-se para o seu segundo e último fim-de-semana. Dos sete concertos agendados, três serão apresentações dos novos trabalhos discográficos de André Matos, Afonso Pais e da formação luso-italiana Teterapadequ. São motivos de sobra para participar na celebração do terceiro aniversário da revista jazz.pt.

Programa

Quinta-feira, 11
22:30 (jardim) / André Matos "Rosa Shock" (Argentina/Brasil/Portugal)
00:30 (bar) / Afonso Pais Trio "Subsequências" (Brasil/Portugal)

Sexta-feira, 12
22:30 (jardim) / Jason Stein's Locksmith Isidore (EUA)
00:30 (bar) / Happening + convidada  Maria João (Portugal)

Sábado, 13
22:00 (jardim) / José Peixoto "El Fad" (Portugal)
23:00 (jardim) / Quinteto de Pedro Moreira (Portugal)
00:30 (bar) / Tetterapadequ (Itália/Portugal)

Site oficial
www.jazz.pt/festival

Escrito por João Miguel Mesquita em 21:26:12 | Link permanente | Comments (0) |

2008/08/19

De Férias…

Ontem já era tarde. Descanso total durante uma semana e uns dias, ou seja de hoje até dia 1 de Setembro, não sei, não vi, nem quero saber. Até já!
Escrito por João Miguel Mesquita em 20:48:52 | Link permanente | Comments (0) |

A Avenida, e as suas esplanadas.

Fazer cidade não é apenas demolir, ou terminar simplesmente com os elementos ou usos com os quais não concordamos. Fazer cidade é perceber a cidade, cada zona da mesma e estudar a médio e longo prazo o que queremos dela. Caso contrario estamos a construir lugares sem expressão nem significado, estamos a descaracterizar espaços e a criar vazios sem sentido. Quando eleito para Junta de Freguesia de S. José um das primeiras questões que coloquei ao então Vereador António Proa, foi “que futuro queremos para das esplanadas da Avenida?”, na sua globalidade e em particular o "Café Lisboa". Com estudo de necessidades e sustentabilidade socio-económica elaborado, propus então a reutilização do “Café Avenida”, este encontrava-se encerrado e com um aspecto abandonado. Do levantamento feito a época (Janeiro de 2006), concluímos que bastaria uma limpeza no interior, novo equipamento, cadeiras, mesas etc., e uma nova decoração interior, acrescentada de uma pintura exteriores e repor a iluminação nas lanternas públicas e tínhamos a recuperação do espaço. Mas mais do que a recuperação física do espaço, falamos com os comerciantes da Avenida, com os hoteleiros, e com a população residente e que trabalha na “Avenida”. Concluímos então que para este local e com o caminho livre para podermos remodelar, tínhamos uma solução, que para além de devolver um equipamento a cidade com dignidade podíamos fazer dele um exemplo. Trabalhou-se então na proposta e encontrou-se um modelo. Uma sala de chá com serviço de refeições ligeiras, adequada a um estilo de vida urbano, com uma zona para serviço de almoços e jantar “groumet”. Este espaço iria permitir um protocolo com escolas de hotelaria e turismo que proponham finalistas dos seus cursos estagiar no local que pretendíamos tornar de prestígio na cidade, tínhamos ainda equacionada a possibilidade de parte dos proveitos serem aplicados em acções e actividades de cariz social, envolvendo as Juntas de Freguesia e instituições de solidariedade social da Avenida da Liberdade e Zona envolvente.

O Vereador António Proa cumpriu com a sua parte, activando o meio judiciais afim de reaver para a Câmara o “Café Lisboa”. Falávamos periodicamente a cerca deste assunto acompanhando como ele ia correndo nos tribunais.

A decisão dos tribunais saiu agora, dando razão a Câmara Municipal de Lisboa, isto deve-se a intervenção e acção do Vereador António Proa, e não do Vereador Sá Fernandes que nada fez, limitou-se a ter proveito de uma acção de outro, fazendo passar que ele é que foi o responsável pela acção, mas não foi mesmo. Mais, deu ordem de demolição do espaço e fez disso uma festa, sem sequer equacionar o dia seguinte. Deixou terra e vidros espalhados no chão, e uma equipa de três calceteiros. Tomou uma decisão, justiça lhe seja feita, decidiu não fazer cidade.

Escrito por João Miguel Mesquita em 00:18:49 | Link permanente | Comments (0) |

2008/08/13

Para ver, muito interesante...

Eis uma entrevista bem conduzida, bem respondida, esclarecedora e objectiva. Coisa rara nos dias de hoje ainda mais tratando-se do assunto em questão. Um excelente trabalho de Cândida Pinto.

Refém em entrevista

Médica Teresa Paiva fala sobre o assalto no BES

Escrito por João Miguel Mesquita em 03:07:05 | Link permanente | Comments (0) |

2008/08/12

Matando Saudades do Porto…

O Porto esta ser recuperado, Rui Rio percebeu que tinha que requalificar o Porto, e depois de limpar a promiscuidade entre a politica municipal e os interesses instalados, planeou e cirurgicamente e esta a fazer face as verdadeiras necessidades dos cidadãos em primeiro lugar. Rui Rio não cortou com a cultura como alguns fazem querer, Rui Rio pós fim a uma promiscuidade que estava instalada na cidade, o que vazia com que só alguns tivessem acesso a cultura, pois esta não era programada com visão estratégica, mas sim com objectivos claros de servir um nicho de pseudo intelectuais com interesses instalados. Rui Rio percebeu sempre que devia governar para quem vive no Porto não para quem se alimenta de interesses que não sejam os da Cidade. Por isso, ganhará sempre eleições na cidade invicta.

Escrito por João Miguel Mesquita em 00:00:17 | Link permanente | Comments (0) |

2008/08/07

Os Amigos existem, e estão lá quando mais precisarmos.

Hoje almocei com um amigo de longa data. Num primeiro impacto nada de especial, no entanto a visita do Rui aconteceu no momento certo, veio equilibrar-me definitivamente, como se confirmasse que estou no caminho certo, chamando a atenção para a forma como vou dirigindo o meu caminho. Nem faz ideia, o Rui como foi para mim importante a sua visita. Este almoço poderia ter acontecido a mais tempo, cruzamo-nos algumas vezes, falamos ao telefone outras tantas, ficamos de almoçar mas nunca aconteceu, hoje proporcionou-se.

O Rui é uma das cinco pessoas que admiro desde que me conheço, desde criança a adolescência, o Rui faz parte daquelas pessoas em que eu pensava, “quando for grande “quero ser como ele”. Nunca tivemos muita intimidade, mas consegui sempre acompanhar a sua carreira e a da sua mulher. O Rui teve uma carreira internacional ligada a comunidade europeia e aos seus organismos. O Rui é casado com uma mulher fantástica, alegre, divertida, e uma profissional de primeira na sua área. Nunca me lembro de ver este casal sem ser a sorrir de olhos sempre a brilhar, sempre tranquilos, animados, conselheiros e metidos nas suas vidas. Hoje quando eu ia falando do que estou a fazer, do fiz e do que penso fazer daqui par a frente, o Rui concordava quando entendia, e criticava de forma pedagógica sem nunca ter feito um juízo de valor e ao mesmo tempo fazendo-me pensar, pensar que vida é só uma, que o que conta é o que levamos de bom dela sempre com ponderação e bom senso. O Rui fez-me perceber que preciso muito de me equilibrar definitivamente, e que o caminho que percorro ainda é muito largo e que o devo estreitar. O Rui fez-me ainda perceber, que quando menos esperamos é possível acreditar que os que nos querem bem e acreditam em nos, fazem pelo que somos genuinamente e pelos laços que solidificamos, nunca mas nunca devemos ter vergonha dos nosso erros nem de assumir as nossa culpas, assim como nunca devemos julgar ser os melhores do mundo apenas porque fazemos um pouco diferente dos outros. O Rui fez-me perceber que não perdi nada, que os estão ao meu lado serão aqueles que sempre tiveram, e eu nunca dei por eles, porque eles estão genuinamente e não cobram. O Rui fez-me sentir gente, fez-me ver que não vale a pena escondermo-nos de vergonha, porque em determinado momento deixamos para trás os que mais amamos, porque esses estão lá a nossa espera, nunca nos vão condenar.

Hoje orgulho-me demasiado quando faço seja o que for com valor acrescentado, perco demasiado tempo com quem de mim quer apenas um veiculo para atingir um objectivo que não é o meu, olho demasiado para os problemas dos outros tentado ajuda-los sem olhar para mim e para os meus. Tenho ganho com isso uma enorme realização pessoal mas de alguma maneira desmedida. A conversa com o Rui veio equilibrar o meu espírito, e ficar com a esperança e vontade de me tornar mais racional e menos emotivo.

Obrigado Rui.

Escrito por João Miguel Mesquita em 16:41:03 | Link permanente | Comments (0) |

2008/07/28

Pequim 2008. Portugal sem representação nos Desportos Colectivos.

Vêm aí os Jogos Olímpicos de Pequim, e Portugal está muito bem representado ao nível individual, quero eu dizer nas modalidades e provas desportivas em que o atleta depende de si do seu treinador e das condições que vai conseguindo para se manter ao mais alto nível. No que diz respeito as modalidades colectivas, Portugal não tem sequer uma única representação nos Jogos Olímpicos, e se no caso das modalidades ditas amadoras o problema é e investimento e aposta por parte do Estado e dos clubes, no caso do Futebol parece-me grave que Portugal não esteja representado e nem sequer ninguém tenha pedido responsabilidades ao Senhor Scolari e sua equipa técnica.

Numa competição onde se promove a educação física e apetência para o desporto a milhares de jovens de tudo o mundo, continua a ser o Atletismo e a Vela quem mais contribui para que a bandeira da República suba e que musica de Keil se ouça.  

Só espero que Carlos Queiroz o novo responsável por todas as selecções tenha um objectivo de criar condições para que uma selecção de Futebol suba ao podium nos Olímpicos de 2012, e que o Comité Olímpico Português, em conjunto com as várias Federações encontrem estratégias para colocar outras selecções de modalidades colectivas nas Olimpíadas de 2012. Sugiro que comecem pelo Rugby, pois a força e o espírito com que conseguiram atingir a fase final do Campeonato do Mundo é exemplo do verdadeiro espírito olímpico, que incutido a um grupo de jovens atletas pode até dar bom resultado.

Escrito por João Miguel Mesquita em 18:43:30 | Link permanente | Comments (0) |

Mudo e quedo

Paula Teixera da Cruz, in Correio da Manhã.

Da vida real


Os resultados das empresas do PSI 20 referentes ao segundo semestre são tremendos: as grandes empresas perdem quase metade dos lucros. Por outro lado, o Instituto do Emprego e Formação Profissional revela que a desaceleração económica já se sente no mercado de trabalho e as empresas estão a contratar menos (óbvio).

Os furtos de produtos de primeira necessidade em supermercados subiram exponencialmente (mais de 66 milhões de euros em 2007). Os pedidos de ajuda alimentar nas juntas de freguesia subiram em alguns casos sessenta por cento e o banco alimentar não tem mãos a medir. Associações há, co-mo a Abraço (entre outras), que estão em risco de não sobreviver. Isto significa, para além de qualquer dúvida razoável, empobrecimento.Estamospobres, mas ninguém se refere à pobreza. A cultura instalada não permite falar em pobreza. Em Portugal ‘ninguém é pobre’: está ‘levemente endividado’ (e sabemos bem o que quer dizer o ‘levemente’). Mas que já há cães a disputar restos com pessoas nos caixotes do lixo da cidade, lá isso há e é um facto chocante.

O que faz o Governo? Continua mudo e quedo, enlevado com a sua imagem, longe da rua. Isso começa a ser muito impressivo nos discursos de Sócrates: o alheamento da realidade. Fala de outro e para outro país. Fazia bem ao Governo inteiro pôr o pé na rua, calcorrear as zonas históricas e constatar a sua degradação; o mar de agulhas a provar uma juventude desestruturada e ter algum tempo para percorrer aglomerados recentes, para ver o que lá se passa – da desocupação à destruição, à ausência de equipamentos. Mas não, o Governo continua a anunciar megalomanias que pagaremos com juros elevados e muitas delas nem serão então precisas. Quando algo corre mal, o Governo muscula a voz. Só que agora não convém que adopte a conversa musculada do costume porque as pessoas andam desesperadas e o desespero não costuma dar bons resultados.

Desta, se pretende passar pelospingosdachuva,o Governo não vai conseguir. E o PSD? O último conselho nacional permitiu criar boas expectativas. Manuela Ferreira Leite está a ‘recredibilizar’ o partido e a restabelecer a confiança com o País que o PSD manifestamente tinha perdido. Mas o resto também é importante. As pessoas estão ávidas de soluções, sentem-se à deriva. É preciso não esquecer isto. E já agora, que se comece por pensar a reformar a Educação a um prazo de vinte anos: o que precisamos e como formamos.

Escrito por João Miguel Mesquita em 04:48:17 | Link permanente | Comments (0) |

2008/07/21

Lisboa, voltaste a sorrir...

Lisboa, com a calma do Tejo, ficas tão mais bela,

Lisboa, percorro-te junto rio, e solta-se-me uma gargalhada,

Alegria, de ver-te linda, tocas-me como noutros tempos, deslumbras-me como nunca,

Passo devagar ao fim do dia e tu continuas a sorrir, linda como sempre foste, linda como nunca deixarás de ser... 

Escrito por João Miguel Mesquita em 21:14:14 | Link permanente | Comments (0) |